A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1) foi tema de palestra realizada pelo Núcleo de Contadores da Associação Empresarial de Lages, na noite de terça-feira, 24 de fevereiro. O tema que tem gerado muitas dúvidas no meio empresarial foi abordado por Ana Paula Schweitzer, que iniciou sua fala destacando que a nova NR1 não deve ser vista apenas como mais uma obrigação legal, mas como um instrumento de gestão estratégica.
Com vigência prevista para maio de 2026, a NR1 passa a exigir que as empresas avaliem e administrem riscos psicossociais, como estresse ocupacional, falhas de comunicação, problemas de liderança, assédio e outros elementos que afetam diretamente a saúde mental dos colaboradores e, consequentemente, a produtividade.
Os dados apresentados reforçam a dimensão do problema. Estimativas internacionais indicam perdas anuais bilionárias associadas à queda de produtividade por questões de saúde mental. Casos de depressão, por exemplo, podem reduzir em até 35% o desempenho individual. Já o presenteísmo, que é quando o colaborador está fisicamente presente, mas emocionalmente distante, responde por parcela significativa das perdas corporativas.
Para pequenas e médias empresas, o maior desafio é cultural. Muitos empresários enxergam o tema como custo extra, e não como investimento. A resistência costuma vir acompanhada de outra preocupação: “Como colocar tudo isso em prática sem aumentar ainda mais a carga administrativa?”
A metodologia apresentada pela palestrante propõe um processo estruturado em três etapas: mapeamento de riscos por meio de um questionário online com diagnóstico em formato de “semáforo”; elaboração de plano de ação personalizado; e monitoramento contínuo. A proposta é oferecer ao empresário um retrato fiel da organização, permitindo que ele tome decisões fundamentadas e preventivas.
Outro aspecto que chamou atenção foi o jurídico. Manter registros e evidências de que a empresa monitora e atua sobre riscos psicossociais pode servir como ferramenta de defesa em eventuais ações trabalhistas, especialmente em casos de assédio ou danos morais.



