A diretoria da Associação Empresarial de Lages (ACIL) recebeu na noite desta segunda-feira, 23 de junho, o secretário municipal de Indústria, Comércio e Inovação (SICOI), Joel Melo Junior, para uma apresentação sobre as ações, estrutura e desafios enfrentados pela secretaria.
De acordo com o secretário, a SICOI atua com base em dois pilares, o desenvolvimento humano e o fomento econômico, e têm como missão promover o crescimento econômico sustentável e a inovação tecnológica, com políticas públicas voltadas a geração de empregos e ao aumento da competitividade do setor produtivo.
Apesar do volume expressivo de atendimentos presenciais, quase 25 mil pessoas nos últimos cinco meses, parte das atribuições da secretaria ainda possuem um viés mais social, o que tem limitado sua atuação estratégica na área econômica. Entre os principais serviços ofertados estão o Balcão do Cidadão, Banco do Emprego, Sala do Empreendedor, Procon e o programa Qualifica Mais que, em parceria com o Sistema S, oferece cursos voltados tanto a trabalhadores quanto a empresários.
Um dos pontos centrais da apresentação foi a situação dos distritos industriais de Lages. Algumas áreas doadas nos bairros Cidade Alta, São Paulo, São Francisco e Ferrovia ainda aguardam regularização, em sua maioria por entraves jurídicos, ambientais e estruturais, mas com previsão de investimentos ainda em 2025.
O presidente da ACIL, Antonio Wiggers, reforçou a importância da criação de um Fundo de desenvolvimento de empresas, conforme proposta apresentada pela ACIL a prefeita Carmen Zanotto. Segundo o secretário, a Prefeitura está trabalhando em uma nova Lei de Incentivo Econômico, mais moderna, transparente e alinhada às demandas do setor produtivo. A proposta prevê a possibilidade de doação de terrenos, com critérios objetivos de avaliação das empresas, como geração de empregos e arrecadação de tributos, além da criação do fundo de desenvolvimento para reinvestimentos em terrenos.
Entre os desafios discutidos, destacaram-se a baixa assertividade na intermediação de mão de obra, o uso de terrenos públicos e a insegurança jurídica para empresas interessadas em investir. O conselheiro institucional de Agronegócio, Alexandre Gustavo Silva, observou que, embora existam cerca de 35 mil currículos cadastrados, muitas vagas seguem abertas por falta de compatibilidade. Ele sugeriu maior qualificação nos encaminhamentos e defendeu ações proativas da secretaria, como participação em feiras e realizando prospecções, como estratégia para atrair grandes empresas.
O conselheiro institucional Everaldo Wiggers reforçou a necessidade de consolidar políticas eficazes como projetos de Estado, garantindo sua continuidade além de gestões específicas. Já o vice-presidente de Inovação, Thiago Mazuhy Andrade, alertou para os obstáculos enfrentados por empresas incubadas no Orion Parque que desejam expandir, mas enfrentam insegurança jurídica para investir em terrenos públicos. Ele propôs a revisão dos modelos de cessão de uso, incluindo a possibilidade de venda como alternativa para destravar novos investimentos.


